sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Titãs

Titãs é uma banda pop rock brasileira formada em São Paulo na década de 1980, uma das mais bem-sucedidas comercialmente e influentes no Brasil dos últimos 30 anos, ao lado de Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. Entre suas músicas mais famosas estão Sonífera Ilha, Flores, Polícia, Comida, Marvin e Epitáfio.

No fim dos anos 70, em plena ditadura militar, um colégio em São Paulo se tornou um dos poucos pontos de resistência cultural. No palco do Equipe se apresentavam artistas de peso da música brasileira como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Clementina de Jesus e Cartola. Com essa efervescência, foi natural que os jovens com interesses artísticos acabassem se aproximando e criando espaços próprios. O evento “A Idade da Pedra Jovem”, promovido por essa turma em 1981, marcou a estréia de Sérgio Britto, Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Marcelo Fromer, Nando Reis, Ciro Pessoa e Tony Bellotto num mesmo palco. Juntos, eles formavam o grupo Titãs do Iê-Iê, uma brincadeira para descontrair uma programação apresentada por gente com mais experiência do que aqueles meninos.

O que era para ser apenas diversão começou a ser encarado mais seriamente no ano seguinte. A estréia oficial dos Titãs do Iê-Iê, devidamente ensaiados e com repertório próprio, aconteceria no dia 15 de outubro de 1982, no Sesc Pompéia. A essa altura, Branco Mello já havia se integrado ao grupo e André Jung, assumido a bateria, instrumento que Nando Reis tocara na “Idade da Pedra Jovem” por pura falta de opção. Com nove músicos no palco, entre eles seis vocalistas, a banda chamava a atenção.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Casa das Máquinas

Casa das Máquinas é uma da banda brasileira de rock, fundada na década de 1970. A banda começou quando José Aroldo Binda (Aroldo) e Luiz Franco Thomaz (Netinho), dois ex-integrantes da banda Os Incríveis, juntaram-se a Carlos Roberto Piazzoli conhecido como Pisca, Carlos Geraldo Carge, ex-integrante da banda Som Beat, que tocava baixo e guitarra, e Pique, ex-integrante da banda de Roberto Carlos que tocava órgão, piano, saxofone e flauta.
No começo ficaram conhecidos como "os novos Íncríveis", fazendo shows por todo o Brasil.
Seu repertório incluia músicas de Elvis Presley, Paul Anka, Chubby Checker, Neil Sedaka, entre outros.
Nas apresentações vestiam figurinos, se maquiavam e davam grandes performaces teatrais no palco.
Em 1974 entraram em estúdio e gravaram seu primeiro LP, intitulado 'Casa das Máquinas'.
Neste primeiro disco a banda seguiu um padrão mais hard rock, que lembrava muito o estilo dos Incríveis.
Com a saída de Pique, logo depois da gravação desse disco, a vaga se abriu para um virtuoso tecladista da época, Mario Testoni Jr., que trouxe Marinho Thomaz (bateria), irmão de Netinho.
Entraram em estúdio e gravaram 'Lar de Maravilhas', em 1975, onde foi adotado um estilo mais progressivo.
Nessa época Netinho conheceu um grande compositor, ainda menor de idade, chamado Catalau, que havia sido descoberto em 1976 por Pisca e Netinho. A primeira letra que fez foi "Rock que se cria". Compõs com a banda dois discos, Lar de Maravilhas (1975) e Casa de Rock (1976).
No disco seguinte ocorreram algumas modificações na formação: Carlos Geraldo e Aroldo saíram e o grupo passou a procurar por um vocalista e um baixista.
Foi a vez de Simbas assumir os vocais principais; ex-vocalista do Mountry, banda de bailes e shows da época, Simbas trouxe para o grupo sua voz e seu estilo andrógino no palco.
Netinho ofereceu o convite para Simbas logo que chegou de uma viagem a Londres, indicado por Caramês (jornalista da revista POP); Simbas ainda teria tido outra oferta de ser vocalista da banda Tutti Frutti, de Rita Lee, porém optou pela proposta de Netinho e ingressou no Casa das Máquinas.
Entraram em estúdio e gravaram Casa de Rock, sem baixista; Pisca fez as linhas de baixo e só depois foi convidado João Alberto para assumir o posto de baixista.
Nessa mesma época o Casa conseguiu uma apresentação na TV Tupi, que não foi ao ar por causa da censura; Simbas teria vestido roupas chamativas e feito movimentos exóticos, e este teria sido o principal motivo. Mais tarde o vídeo estaria disponibilizado na internet.
Agora seria a vez de Marinho Testoni deixar a banda; seu contrato acabou na época e ele recebeu uma boa proposta para integrar o grupo Pholhas.
Seguindo o caminho a banda continuou sem tecladista fixo; Pisca, que era o gênio instrumental, tocava teclado em algumas musicas que não precisavam de guitarra, como "Vale verde" e "Mania de ser".
Entraram em estúdio e gravaram o videoclipe da música "Casa de Rock" que continha um cenário com máquinas e andaimes, lembrando mesmo o nome da banda, e publicado mais tarde no Fantástico, da TV Globo.
Quase no fim da carreira fizeram um show em Santos em 1978 que foi gravado em uma fita cassete e depois pirateado para CD, uma das últimas apresentações do grupo, que depois ficaria parado até dezembro de 2003.
Casa das Máquinas, enquanto grupo, acabou em 1978, não por um motivo específico, mas por uma conjunção de fatores. Alguns motivos que podem ter causado o fim da banda foram os seguintes:
O mercado fonográfico iniciava o processo de "profissionalização", fechando as portas para aqueles artistas que na época tinham propostas com qualidade, porém que tinham retorno a longo prazo.
A disco music estava crescendo no Brasil, ocupando assim o espaço que antes eram terreno de bandas como o Casa das Máquinas.
A ditadura militar, já em fase de agonia, fazia questão de incomodar ao máximo, e bandas como o 'Casa das Máquinas' eram taxados como maconheiros ou bichas, ou arruaceiros, enfim, marginais.
Daí utilizavam-se de pretextos para impedir a banda de se apresentarem na TV.
Houve o episódio da morte de um cinegrafista da TV Record, depois de uma briga que envolveu alguns membros do grupo. Segundo uma das versões do ocorrido, Simbas, que chegara aos estúdios da Record para se apresentar no programa de Raul Gil em um veículo dirigido por seu irmão, preferiu utilizar-se do portão dos fundos, em vez de entrar pela frente, onde estariam fãs.
Enquanto Simbas descarregava seus equipamentos, um motorista de ônibus que encontrou o caminho da saída bloqueado teria começado uma briga, e ao retornar e tentar apartar foi impedido por um câmera da Record, com quem acabou trocando chutes e socos;
Posteriormente o câmera teria sido internado em um hospital e acabaria falecendo devido a uma perfuração causada por uma fratura de costela.
Simbas teve de responder judicialmente, e, apesar de absolvido por homicídio, foi condenado por agressão.
Quando a banda acabou os integrantes tomaram os seguintes rumos: Simbas e Marinho Thomaz receberam o convite de Luiz Carlini para fazerem parte do Tutti Frutti; João Alberto seguiu Marinho Testoni para participar do Pholhas, Pisca permaneceu trabalhando como compositor e arranjador para outros nomes da música brasileira; Netinho retomou em sua antiga banda, Os Incríveis.
Em dezembro de 2003, Netinho remontou a banda para uma apresentação única em Matão, interior de São Paulo, e a resposta do público foi melhor que a banda esperava.
Nessa formação contaram com Netinho, Marinho Testoni e Marinho Thomaz, e foram chamados Nando Fernandes vocais, Andria Busic (Dr. Sin) no baixo e Sandro Haick na guitarra.
O retorno concretizou-se no final de 2007. A banda prepara um novo álbum para 2008, trinta anos após seu antecessor. Além de canções inéditas dando sequência à carreira, contará com algumas regravações em novos arranjos.
Em janeiro de 2008 foram convidados para tocarem no Festival Psicodália de Carnaval, na Serra do Tabuleiro, em Santa Catarina, com um público de 3000 pessoas e um repertório totalmente inédito.
A formação que se apresentou no festival do dia 3 de fevereiro de 2008 contou com Netinho seu irmão Marinho Thomaz, Marinho Testoni, Andria Busic e Faíska.
 

Quintal de Clorofila

Quintal de Clorofila foi um duo de folk psicodélico, formado pelos irmãos Dimitri e Negrende Arbo.
Eles fizeram parte do cenário folk gaúcho que se iniciou no final dos anos 1970, com grupos como Os Tápes, Almôndegas, Utopia e Grupo Terra Viva, e se extendeu aos anos 1980, com grupos como Tambo do Bando e Couro, Cordas e Cantos. Quintal de Clorofila é um dos poucos que chegaram a gravar um álbum, lançado pelo selo independente Bobby Som em 1983. Para esse LP, o grupo gravou composições próprias com letras do irmão deles, o poeta Antonio Calos Arbo. Nas palavras do próprio Dimitri Arbo, o som deles misturava jazz, rock, música medieval e ritmos africanos orientais e latinos, no que ele chama “Rock Viking”. Com certeza é uma musica complexa, com uma tremenda profundidade e inspiracão abundante, o que se evidencia ao longo de todas as faixas bastante atmosféricas do álbum.

O Terço

Um dos mais importantes grupos brasileiros do rock anos 70, o Terço nasce com a seguinte formação: Hinds (guitarra), César das Mercês (baixo) e Vinícius Cantuária (bateria). Em 1970, com a substituição de Mercês por Jorge Amiden, o grupo lança seu primeiro LP (rock tipo anos 50, 60 com leves tintas progressivas). O segundo trabalho, também homônimo, traz uma sonoridade mais progressiva e é, talvez o disco mais homogêneo de toda sua carreira.
Dois anos depois, em 1975, seria lançado o LP que consagraria definitivamente a banda, formada então por Hinds, Magrão, Moreno e Flávio Venturini. "Criaturas da Noite" (que recebe, anos depois, uma versão em inglês entitulada "Shining days, summer nights") viraria hit nacional, vendendo centenas de cópias de milhares de cópias e presenteando o público com uma das obras-primas do progressivo brasileiro, a faixa "1974".
O Terço segue estrada, lançando, no ano seguinte, "Casa Encantada" (com participação na flauta e vocal, de Mercês), que também consegue boas vendagens. Esses dois álbuns seriam relançados em CD, na Itália, pela Vinyl Magic. Os trabalhos seguintes da banda, após a saída de Venturini (que funda o 14 Bis, com o qual grava 8 Lps e inicia carreira-solo...), seriam decepcionantes para os amantes do progressivo. "Mudança de tempo", "Som mais puro", "O Terço"...
Os fãs tem que esperar muitos anos até 1993, quando uma nova banda, formada por Hinds, Franklin Paolillo (bateria), Luiz de Boni (teclados) e Andrei Ivanovic (baixo), lança "Time Travellers", CD de progressivo sinfônico que, apesar de não ter nada a ver com os trabalhos consagrados do grupo, pelo menos resgata algo do estilo para os velhos seguidores. O grupo, em 1993, abriria o show do Marillion no Brasil com músicas do novo trabalho. Um ao vivo, pela Movieplay, seria publicado em 1994, apresentando o Terço junto a uma orquestra sinfônica." (ERP)

RPB: Em 1994, A Record Runner lançaria o mesmo disco ao vivo com orquestra com duas faixas extras também ao vivo. Em 1996, pelo selo Velas de Ivan Lins, sairia o disco "Compositores", onde a banda (reduzida a um trio Hinds, De Boni e Fernando Fernandes (baixo)) interpreta composições inéditas de músicos como Ivan Lins, Arnaldo Antunes, Vinícius Cantuária, Flávio Venturini, Lula Barbosa entre outros, mas também com músicas de Hinds e De Boni, entre elas uma bastante controversa: os riffs iniciais da guitarra de "Poeira" são idênticos à música da banda inglesa Arena "Midas Vision", do CD "Songs from the Lion's Cage", de 1995. Creio que nem a própria banda sabe disso.
Em 2000 a banda se apresenta no Rio Art Rock Festival, no Rio de Janeiro com um show curto mas aclamado como um dos melhores do evento.
Em 2001/2002, a banda ensaia uma volta com a formação clássica do disco Criaturas da Noite. Alguns ensaios chegam a se realizar mas a morte repentina de Moreno adia o projeto momentâneamente.

Músicos:
Sérgio Hinds - guitarra, viola e vocal
Sérgio Magrão - baixo e vocal
Luiz Moreno - percussão e vocal
Flávio Venturini - piano, teclados, viola e vocal

Bacamarte

Mario Neto iniciou seu trajeto musical aos seis anos de idade. Estudou com Silas Antonio do Espírito Santo, um grande mestre do violão, até sua partida para os Estados Unidos. O professor nunca mais voltou, a exemplo de tantos músicos brasileiros de real talento.

Em 1974, com quatorze anos, Mario resolveu montar um grupo para tocar composições próprias, uma mistura de música clássica com jazz, rock e música brasileira. Chamou Sergio Villarim, um músico também de formação clássica, para tocar teclados. Um dia, discutindo com Sergio o nome a dar ao grupo, Mario viu, sobre uma prateleira do quarto, um bacamarte artesanal, trazido pelo pai de uma viagem a Juazeiro. Uma arma que não serve mais para nada, que não fere mais ninguém. Eureka! O grupo deixara de ser pagão. Juntaram-se a esta formação inicial o baterista Nelson "Bombeiro" Paiva, o baixista Vinicius "Paçoca" de Oliveira e o cantor Hugo Lacerda. Com esta formação, o Bacamarte se apresentou em muitos festivais colegiais e universitários, obtendo sempre ótima recepção do público.

Em 1977, com nova formação que incluía José Lourenço (teclados), Delto Simas (baixo), Marco Veríssimo (bateria), Marcus Moura (flauta e acordeão) e Mr.Paul (percussão), hoje conhecido como Paulão, o Bacamarte fez muitos concertos, dois deles com o tecladista Jean Mauricio. A cereja no bolo foi uma memorável apresentação no programa Rock Concert (TV GLOBO), dirigido por Ronaldo Curi. Em 1979, Mario Neto produziu a fita que viria a se transformar no LP Depois do Fim. Naquela época, a hora de estúdio de gravação era absurdamente cara. Para reduzir o tempo de gravação, já sabendo que talvez tivesse que vender seu velho Chevette (herói de enchente), Mario promoveu uma maratona de ensaios, antes de ir para o estúdio. A gravação foi quase “ao vivo”: 19 horas de performance – nelas incluídos montagem, afinação de instrumentos, posicionamento de microfones, equalização etc - mais 6 de mixagem. Participaram da gravação: Sergio Villarim (teclados), Delto Simas (baixo), Marco Veríssimo (bateria), Marcus Moura (flauta e acordeão), Paulão (percussão) e a cantora Jane Duboc. Um elefante,“hóspede” de um circo montado ao lado do estúdio fez muito barulho, durante a gravação da música Pássaro de Luz. Até hoje, suas reais intenções permanecem desconhecidas. Logo após o término da gravação, surgiu a disco-music e Mario decidiu guardar a fita e esperar por um momento mais conveniente ao lançamento do disco.

Em 1982, por insistência do amigo Cid, Mario Neto levou a fita à Radio Fluminense FM. Foi recebido por Amaury Santos (produtor da área de música brasileira da rádio) que, imediatamente, colocou a fita num Ampex e ouviu todas as músicas. Terminada a audição, Amaury pediu que Mario a deixasse com ele. No dia seguinte, as músicas começaram a ser executadas na Rádio. A resposta dos ouvintes foi fantástica: pediam para ouvir mais e perguntavam quando sairia o disco. Este era o momento esperado por Mario. Antes do lançamento do disco, foram muitos shows, alguns em datas e/ou circunstâncias insólitas. Em uma apresentação no Circo Voador, em 25 de dezembro de 1982, havia dezenas de pessoas penduradas na estrutura metálica da iluminação (bem em cima do palco) e mais de mil não conseguiram entrar. Felizmente, não houve baixas e o espírito natalino tomou conta de todos. Em outra ocasião, num show na Ilha do Fundão, no encerramento de um encontro nacional de estudantes de Medicina, sob uma lona que parecia de circo (e era...), a partir da passagem do som e até o final da apresentação, foram ouvidos e sentidos em forma de vibração no piso os rugidos de um leão preso num carro-jaula atrás do palco. Medo, muito medo! Porém, o show tinha que continuar... Aparentemente, o rei da selva, exilado no circo, gostou do show, porque não houve baixas na plateia, no palco ou na jaula.

No início de 1983, a fita virou bolacha: foi lançado o LP Depois do Fim! Nesta ocasião, tocavam nos shows Sergio Villarim (teclados), Wiliam Murray (baixo), Mario Leme (bateria), Marcus Moura (flautas e acordeão) e Paulão (percussão), com as participações especialíssimas de Jane Duboc e Miriam Perachi (vocais). Foram vendidas 10.000 cópias, um grande sucesso para uma produção independente. Apesar disto, o trabalho não ganhou espaço na grande imprensa. Pouco tempo depois, a Rádio Fluminense foi vendida e o perfil de sua programação mudou.

O disco Depois do Fim, antes mesmo do advento da Internet, seguiu sua vocação global. Teve ótima aceitação no Japão, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Itália, Argentina e Estados Unidos. Foi incluído na lista ALL TIME TOP 100 ROCK ALBUNS, elaborada por críticos da revista holandesa Exposure, ao lado de nomes como Beatles, Santana, Hendrix, Renaissance, Yes, Stones, Simon & Garfunkel etc. Compromissos pessoais impediram Mario Neto de partir para o exterior, em busca da consolidação do mercado externo para seu trabalho, e o afastaram dos palcos e gravações. Ele voltou-se, então, para a composição e o estudo de outros instrumentos.

Em 1995, nos Estados Unidos, leitores da revista Exposé elegeram o Depois do Fim como o LP mais esperado na versão CD. Eles não tiveram que esperar muito. No mesmo ano, por ocasião do lançamento do CD pelo selo Rarity, o Bacamarte fez vários concertos com as participações de Sergio Villarim (teclados), Wiliam Murray (baixo) e Renato Teixeira (bateria).

Em 1996, o Bacamarte se apresentou no Rio Art Rock Festival, no então Metropolitan, com uma substituição nos teclados: a entrada de Robério Molinari. Então, Mario Neto decidiu, finalmente, gravar a suíte Sete Cidades. As músicas do CD, em sua maioria, foram compostas antes do lançamento do Depois do Fim e ficaram guardadas para futura utilização num segundo disco do Bacamarte. Contudo, obstáculos profissionais e pessoais dos músicos, que então se apresentavam com o Bacamarte, levaram Mario Neto a gravar o Sete Cidades como um disco solo. Foram muitas madrugadas, nos anos de 1997 e 1998, nas quais Mario tocou violões, guitarras, piano, teclados, baixos (acústico e fretless), bateria e percussão, além de cantar. O tecladista Robério Molinari participou da gravação de 5 faixas.

O CD Sete Cidades foi lançado em 1999. Em 2000, foi realizado um único concerto de lançamento do novo CD, na Lona Cultural João Bosco, no Rio de Janeiro, com a participação de Robério Molinari (teclados), Vitor Trope (baixo) e Alex Curi (bateria). Apesar da tempestade que caiu naquela noite, foi gente e não água que saiu pelo ladrão.

Em 2009, Emílio Magnano, então Gerente Comercial da Som Livre, teve a ideia de relançar o Depois do Fim, em comemoração aos 30 anos de sua gravação. Estas são suas palavras, na primorosa reedição, remasterizada a partir da fita original: “É com muito orgulho que a Som Livre resgata essa pérola perdida de nossa música. Mario Neto e seu “Bacamarte” de sons representou muito bem nosso país em todas as listas espalhadas pelo globo sobre os melhores trabalhos do gênero, dividindo estas com gigantes como Pink Floyd, Genesis, Renaissance, entre outros. Após anos indisponível “Depois do Fim” volta, para ser relembrado por uns, descoberto por outros e apreciado por todos.” No mesmo ano, a Som Livre licenciou o lançamento da versão japonesa do Depois do Fim, com os textos do encarte vertidos para o Japonês. A partir de então, National Kid pôde entender as letras das músicas...

2012 assistiu ao retorno do Bacamarte aos palcos. Foram dois concertos no Rio de Janeiro: um no Teatro Rival e outro no Circo Voador. O segundo comemorou os 30 anos da lendária casa, onde, na década de 80, o Bacamarte bateu repetidas vezes o recorde de público. Em ambos os shows, foram executados, na íntegra, os discos Depois do Fim e Sete Cidades.
Participaram dessas apresentações: Nilo Rafael (teclados), William Murray (baixo), Marcus Moura (flautas e acordeão), Paulão (percussão), Alex Curi (bateria), Robério Molinari (teclados), Vitor Trope (baixo) e Jane Duboc (vocal). Além de um reencontro musical há muito esperado e cobrado, os shows tiveram alta voltagem afetiva, com fãs chorando e, em pé, na madrugada, aguardando, para expressar sua alegria aos músicos e apresentá-los a filhos e netos.

Todos sabem que os shows do Bacamarte não são eventos corriqueiros. Não por acaso, três gerações de admiradores se encontram nessas raras oportunidades. Para além de uma experiência musical, são momentos de alta troca emocional entre os músicos e a plateia, bem como entre os próprios espectadores. Os registros disponíveis no You Tube dão uma pálida ideia da eletricidade que a execução das músicas do Bacamarte gera.

Ratos de Porão

Ratos de Porão é uma banda de hardcore e crossover thrash brasileira formada em 1981, durante a explosão do movimento Punk em São Paulo. Com mais de vinte anos de carreira, são referência nacional no gênero e reconhecidos também internacionalmente, principalmente na Europa.

História
No início da década de 1980, influenciado pelo movimento punk que começava a tomar forma em São Paulo, João Carlos Molina Esteves (o Jão, vocalista e guitarrista) formou o Ratos de Porão com seu primo Roberto Massetti (o Betinho, baterista) e o amigo Jarbas Alves (o Jabá, baixista). Em 1983, já com Mingau na guitarra, gravaram seu primeiro registro musical na coletânea SUB e participam do festival O Começo do Fim do Mundo, que reuniu vinte bandas no Sesc Pompéia, em São Paulo, se tornando um marco do movimento. João Gordo entrou em 1983, para mais uma mudança na formação, e a banda lança Crucificados Pelo Sistema.

Deixando de lado o punk puro e passando por estilos como o hardcore e o thrash metal, ganharam notoriedade também no exterior (sempre no underground punk/metal e principamente por terem assinado com a Roadrunner Records européia, graças a uma ajudinha de Igor Cavalera, então baterista do Sepultura), chegando a lançar alguns discos com versões em português e inglês. Por deixar de lado o punk puro e se tornar apresentador de programa de TV, João gordo passou a ser chamado de traidor por algumas pessoas.

Em 1995, lançaram Feijoada Acidente?, um tributo a bandas punk nacionais e internacionais. O título é uma paródia a The Spaghetti Incident?, disco do Guns N' Roses que também é um tributo.

Para comemorar seus vinte anos de estrada, regravam o primeiro disco e então lançam Sistemados Pelo Crucifa, que vem com uma revista contando a trajetória da banda.

Depois de oito meses parados, os Ratos de Porão tocaram no festival paulista Maquinaria Rock Fest em 17 de maio de 2008. João Gordo com todo o seu jeito extrovertido agitou o público com clássicos como "Igreja Universal" e "Beber Até Morrer".

Joelho de Porco

O Joelho de Porco é um dos grandes nomes do rock-humor brasileiro.

"Amadrinhado" pela cantora Aracy de Almeida e precursor do movimento punk no Brasil, o grupo paulistano surgiu em maio de 1972, quando tocaram no TUCA, em São Paulo, e era formado por: - Tico Terpins (violão,voz, guitarra base - ex-Os Baobás); - Gerson Tatini (baixista que tocou guitarra por alguns meses, em 1972); - Walter Baillot (guitarra solo - ex-Provos - substituto de Gerson Tatini, convidado pelo baixista Rodolfo Ayres Braga); - Próspero Albanese (bateria e vocais); - Conrado Assis Ruiz (guitarra, piano e vocais - ex-Mona); e, - Rodolfo Ayres Braga (baixo e vocais - ex-Terreno Baldio, ex-The Jet Black's).

Com esta formação - em 1972 - gravaram o compacto simples "Se Você Vai de Xaxado, Eu Vou de Rock And Roll/Fly America", produzido pelo ex-Mutantes Arnaldo Baptista. Dois anos depois, o Joelho lançou seu primeiro LP, "São Paulo 1554/Hoje"; um dos mais elogiados discos do pop da época, misturando rock pesado e referências tropicalistas em faixas como "Boeing 723897" e "Mardito Fiapo de Manga".

Em 1976, entrou o vocalista (e, em seguida, ator) Ricardo Petraglia, que participou de alguns shows. Logo após, entra o cantor argentino Billy Bond, com quem a banda partiria para uma linha mais agressiva, próxima do punk rock que explodia naquela mesma época na Inglaterra.

Nesta fase, começa o desmanche da formação original da banda, com a saída dos músicos Conrado Assis Ruiz, Rodolfo Ayres Braga e Walter Baillot.

Em 1977, o Joelho gravou LP homônimo e, pouco tempo depois, encerrou suas atividades. Tico Terpins partiu para o mercado dos jingles publicitários, montando o estúdio Audio Patrulha.

Em 1983, Terpins - juntamente com Próspero Albanese e o cantor e compositor Zé Rodrix (ex-Sá, Rodrix e Guarabyra) - remontaram o Joelho, que voltou com o LP duplo "Saqueando a Cidade", cujos sucessos são: "Vigilante Rodoviário", "Vai Fundo" e "Funicoli, Funicolá" (versão roqueira da tradicional canção italiana).

Com o vocalista e fotógrafo David Drew Zingg, a banda ganhou o prêmio de melhor letra do Festival dos Festivais da TV Globo, em (1985), por "A Última Voz do Brasil". Em 1988, o Joelho de Porco lançou o LP "18 Anos Sem Sucesso", com repertório do pop americano pré-rock.

Em 1998, Tico Terpins morreu de enfarte.